Quando o mundo perde as cores
Tem noites em que eu sinto tão quebrada
que parece impossível juntar os pedaços
sem me cortar no processo.
É como se algo dentro de mim
tivesse desmoronado em silêncio,
e ninguém percebido o barulho.
Cada centímetro do meu corpo dói.
Respirar sufoca.
Levantar exige força.
Até as coisas pequenas,
aquelas que antes despertavam alguma alegria,
parecem distantes demais.
O mundo continua acontecendo lá fora.
As pessoas conversam,
os carros passam,
os dias mudam no calendário.
Mas aqui dentro
tudo parece sem cor.
É como viver atrás de um vidro embaçado,
vendo a vida acontecer
sem conseguir tocá-la.
Eu tento lembrar como era sentir as coisas antes.
Como era acordar
sem esse peso esmagando meu peito.
Como era olhar pro céu
e enxergar beleza nele.
Agora existe só essa nuvem cinza
pairando sobre mim,
cobrindo o céu,
engolindo a luz
e me fazendo esquecer
como era sentir o calor do sol.
E o mais assustador
é perceber que eu começo a acreditar
que talvez nada vá mudar.
Eu me olho no espelho
e já não reconheço quem está ali.
Como se a vida tivesse arrancado,
aos poucos,
cada parte minha que sabia sentir,
sonhar,
rir sem culpa,
existir sem peso.
Eu não preciso de milagres.
Um pequeno feixe de luz já bastaria.
Um sinal sutil de que ainda existe vida
além dessa escuridão.
Porque, no fundo,
a parte mais cansada de mim
não quer desistir.
Ela só quer encontrar
um motivo para continuar.
por Thais Diandra