O preço de estar sempre disponível
Eu gostava de pessoas.
Gostava de ouvir.
De acolher.
De ajudar.
Gostava de estar presente.
Se alguém me chamava,
eu aparecia.
Se alguém caía,
eu ajudava a levantar.
Se alguém tinha um problema,
eu encontrava uma solução.
Passei anos carregando tudo.
Problemas.
Responsabilidades.
Dores que nem eram minhas.
Sempre havia alguém precisando.
E eu sempre dava um jeito.
Até um dia não dar mais.
Quando vi,
minha minha mente cobrou a conta.
E meu corpo colapsou.
Os anos passaram.
A rotina mudou.
Eu mudei.
Mas uma coisa
nunca voltou para o lugar.
Hoje o menor contato me esgota.
Conversas me cansam.
Presenças me drenam.
Interações que antes me nutriam
agora consomem uma energia
que eu já não tenho mais.
Por isso gosto de ficar sozinha.
Não é solidão.
Não é tristeza.
Não é abandono.
É autopreservação.
Porque estar sozinha
é o único lugar
onde não preciso sustentar ninguém.
Onde não preciso resolver nada.
Onde não preciso me doar até desaparecer.
No fim,
eu entendi uma coisa dolorosa.
Aquelas pessoas
não amavam minha presença.
Amavam minha utilidade.
E quando algo deixa de ser útil,
quase sempre é substituído.
Então quando eu quebrei
e já não pude oferecer
o que esperavam de mim,
quem me “amava” desapareceu.
Talvez seja por isso
que hoje eu escolha o silêncio.
Porque ele exige menos de mim
do que as pessoas exigiram a vida inteira.
por Thais Diandra

