Barco atracado
Estar com ele é como estar em um barco atracado.
Ele diz que quer velejar com você, que o mar aberto é lindo, que sempre sonhou em viajar por águas distantes ao seu lado. Ele fala das estrelas que vocês vão ver, das terras que vão alcançar, do vento no rosto. Mas toda vez que você se levanta para soltar as cordas e içar as velas, ele te segura pelo braço.
Diz que talvez o mar esteja agitado demais, que a bússola pode falhar, que você se cansa rápido, que vocês não têm tudo que precisam agora. Que é melhor esperar. Que é melhor deixar para depois.
Você olha em volta e o barco nunca saiu do cais. Você olha para as mãos dele e elas ainda seguram firmes as cordas que te prendem ali.
E mesmo que ele tenha prometido o horizonte, você percebe que o que ele realmente quer é que você nunca deixe o porto. Porque o apoio dele existe só até o ponto que não o incomoda ou não lhe custa nada.
No fim, o que era para ser uma travessia a dois, virou uma espera solitária por alguém que só fala de mar, mas tem medo de molhar os pés.
A ausência de apoio não grita. Ela silencia, enfraquece, confunde. Com o tempo, você começa a duvidar até dos seus próprios sonhos. Ainda assim, algumas viagens a gente precisa fazer só, não por escolha, mas porque há destinos que não podem esperar para sempre pela coragem de outra pessoa.
E, às vezes, soltar as amarras é o único jeito de finalmente alcançar o mar.
por © Thais Diandra
