Amor de vitrine
É estranho como alguns amores
funcionam como vitrines.
Enquanto tudo brilha,
existe cuidado.
Existe atenção.
Existe um olhar que percorre cada detalhe
como se aquilo fosse precioso.
Mas vitrines não amam.
Elas exibem.
E tudo o que é exibido
precisa parecer inteiro.
Quando uma peça racha,
não há conserto.
Não há pausa.
Não há tentativa.
Trocam por outra.
Na mesma hora.
No mesmo espaço.
Sem anúncio.
Sem despedida.
Sem olhar para trás.
Como se a anterior nunca tivesse existido.
Eu fui essa peça.
Fui escolhida
enquanto reluzia.
Enquanto não destoava.
Enquanto cabia na imagem
que você queria mostrar.
E eu vi o momento exato
em que algo em mim
deixou de servir.
Não foi sutil.
Foi brusco.
Como algo que se quebra
e, antes mesmo do som terminar,
já é substituído.
Seu olhar só seguiu.
Passou por mim
e parou em outra pessoa.
Como se nunca tivesse sido mais do que isso:
uma peça
bem posicionada,
mas facilmente trocada,
atrás de um vidro.
por Thais Diandra