Quando o riso acende o dia

Imagine um corredor estreito,
iluminado só por pequenas lanternas presas no teto.
Cada lanterna é uma promessa silenciosa.
O riso dela acende uma.
Depois outra.
E você percebe
que não está mais andando no escuro.
A luz não vem do sol,
vem desse chilrear suave no peito.
O tempo suspira.
O mundo ganha fôlego.
Tudo o que era peso vira vento.
Você caminha
e sente o vento mudar de direção.
As paredes se tornam vidro translúcido
e refletem seus passos.
Mas não o seu cansaço,
e sim a leveza que cresce.
Porque o sorriso dela
não é só um som.
É um clarão.
Uma combustão silenciosa
que põe a vida em movimento.
Abrigo em dias nublados.
Descanso no meio do cansaço.
Ela sorri,
e então o corredor se abre.
Você sai e encontra um campo de girassóis.
Girassóis que não buscam o sol.
Buscam aquele lampejo interno.
Ela sorri,
e, pela primeira vez em muito tempo,
você volta a respirar com leveza.
Como se o coração,
finalmente,
encontrasse um lugar seguro para descansar.
por Thais Diandra